O Homem Alfa

cacadores

 

Quem me conhece, lê meus textos no blog ou meus posts nas redes sociais sabe que um dos caras que eu vivo citando é Varg Vikernes, a despeito de discordar de muito de sua opinião; recentemente comentei sobre o fato de que ele sendo casado e tendo três filhos deste casamento, além de uma filha adulta, não se gaba ou sequer comenta sobre sua vida sexual, não se vê referência dele neste sentido, pelo contrário uma das bandeiras que ele levanta é contra o que ele chama de “hipersensualidade” ou seja, a excessiva sensualizacao e sexualizacao da vida como um todo, uma supervalorização de um aspecto que é importante, crucial, prazeroso, mas que no entanto tem tomado uma proporção absurda e uma importância desmedida em relação a outros aspectos da vida.

O homem no contexto atual é ou deve ser o macho-alfa, o garanhão, o pegador, caso seja casado, ele pode até ser fiel a sua esposa, mas, deve jogar futebol ou arranjar qualquer outra desculpa para estar com os amigos e então deve seguir um ritual, comentar sobre aquela estagiária gostosa ou falar da bunda da mulher que estiver passando, enfim ele tem que dar a entender para os amigos que se não estivesse casado seria um pegador… e por que isto? Porque ele tem a necessidade de aprovação social do grupo, se não uma necessidade pessoal de provar pra si mesmo que é homem, por insegurança talvez, então por uma necessidade típica da adolescência de provar sua masculinidade perante os outros, afinal o que poderiam pensar dele se não agisse desta forma? Que não é macho o suficiente talvez, que não gosta da fruta?

Isto não significa que não se tenha desejos, que não se sinta atração, que não se tenha instintos, mas há uma expectativa para que o homem exale testosterona pelos poros o tempo todo em um nível sempre muito alto, é verdade que homens pensam mais em sexo que mulheres, isto é precisamente um dos fatos que nos faz ser homens, mas também é verdade que homens se interessam mais que mulheres por assuntos como politica, economia, guerras, carros, esportes, lutas… da mesma maneira que é verdade que demonstram relativamente pouco interesse por assuntos como moda, decoração, jardinagem, etc assuntos tipicamente femininos

Mas a questão é, será que um homem precisa ser o pegador pra ser homem? Será que um homem casado que cometa a estupidez de ser fiel tem que necessariamente comentar sobre outras mulheres com os amigos?(não pode apenas como um bom mineiro apreciar e guardar a opinião pra si?), somos homens e não estou dizendo aqui que devemos negar nossos instintos ou fingir hipocritamente que não vimos aquela estagiaria gostosa ou que não reparamos na bunda daquela outra, etc, aliás, já que toquei no assunto, vou dar minha opinião e tentar desfazer o mito de que a bunda, seja a preferencia nacional, acho apenas que é extremamente constrangedor olhar de frente, então olhamos de costas (o mesmo vale para as mulheres).

Voltando ao início deste post e a Varg, obviamente não o conheço pessoalmente e pelo que sei ele tem poucos amigos, mas pelo que vejo a postura dele não tem absolutamente nada do que descrevi logo acima que é a norma em nossa cultura ocidental pós-moderna, ou seja ele não fica falando disto o tempo todo ou tentando passar uma imagem de macho-alfa e se o fizesse teria caído alguns pontos no meu conceito, mas alguém arriscaria dizer que ele não é homem? Na frente dele? Acho que não!

Como costumo dizer, sexo faz parte da vida, não é a vida que faz parte do sexo! E isto significa que existe algo mais, algo maior, algo melhor! E que sim o sexo não é um fim em si mesmo! Que ser homem não é ser o pegador, até porque no reino animal o macho-alfa na é só o pegador, ele é o líder da alcateia, o que significa que ele deve ser o primeiro a enfrentar um predador e o ultimo a sair, muitas vezes arriscando a própria vida, deve ser o provedor, o protetor, etc, hoje existe muito moleque se gabando de ser macho-alfa, mas que se engravidar a namorada é o primeiro a correr, a pular fora; ser homem é assumir suas responsabilidades, assumir seus erros e arcar com as consequências de suas escolhas. Ser homem é sim se casar (constituir família), ter filhos e cria-los, educa-los e não apenas se achar o cara só porque é mais um idiota com um pênis no meio das pernas!

Este é mais um, entre tantos outros, aspectos que me identifico e admiro Varg, eu sou assim e sinceramente não me importo com o que  os outros pensam a meu respeito, na verdade nunca me importei, a não ser claro a adolescência, todos  nós passamos por esta fase, mas ao menos pra mim ela passou!

Obs. Enquanto alguns acharão este post careta, reacionário, etc outros o acharãoousado, inapropriado, bom, não sou hipócrita, a vida é assim quer você goste ou não!

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A Mente do autista

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Nao, voce nao leu errado. Nao, eu nao escrevi errado. O titulo é este mesmo, a mente do autista e nao a mente do artista, este post é inspirado (mas nao diretamente influenciado) pela minha leitura do artigo “Autismo, uma explanacao do interior” de Marie Cachet e pelo video “The Autistic Brain” de Temple Grandin do Chicago Humanities Festival.

Mas, como eu disse é inspirado e nao influenciado, nao é exatamente aos autistas que me refiro, mas ao que chamo de “autista social” entre os quais eu me incluo.

Me refiro a mim mesmo e a algumas (duas? tres?) pessoas que eu talvez conheça que tem uma certa dificuldade em se relacionar com os demais, com a sociedade, daí a analogia ao autismo, no entanto nao se trata de ser anti-social, embora possa estar relacionado tambem, sendo mais claro…

Não se trata de odiar o ser humano, as pessoas, mas de se sentir sufocado em meio a multidoes, ainda que sejam pequenas multidoes, de nao ser muito afeito a festas, nao por uma rejeicao a festa em si, mas pelo barulho desconexo de dezenas de pessoas gritando para se comunicar por causa do som alto ou da simples aglomeracao de pessoas comprando, vendendo e passeando num shopping ou num centro comercial da cidade, algumas coisas podem ser diferentes, adoro shows de metal, death metal é musica pros meus ouvidos, mas quando vou a um show todos os que la estao, estao com o mesmo objetivo de curtir a banda e se por acaso alguem quiser lanchar, conversar, namorar ou tiver qualquer outro interesse sairá do local e nao ficara la falando alto!

Um video curto de algum tempo atras mostrava um campeonato de futebol americano e no estadio havia um garoto de uns onze ou doze anos com uma camiseta preta e cabelos compridos, a expressao no rosto do garoto demonstra exatamente o que eu quero dizer, enquanto toda a beautiful people sorria curtindo alegremente seu american way of life com hot-dogs e coca-colas extra-large o garoto expressava um olhar de ódio a tudo aquilo, um desprezo por todos, a impressao que se tinha é que ele iria gritar e sair correndo daquele lugar, eu o entendo! me identifico com ele! sei exatamente o que ele esta sentindo e nao pensando, porque nao é algo racional, nao é algo a que se possa apontar e dizer “é isto aqui” que o incomoda, mas é tudo a sua volta ou como disse  Morpheus para Neo no filme Matrix…

“Vou te dizer por que está aqui. Você sabe de algo. Não consegue explicar o quê. Mas você sente. Você sentiu a vida inteira: há algo errado com o mundo. Você não sabe o que, mas há. Como um zunido na sua cabeça te enlouquecendo. Foi esse sentimento que te trouxe até mim. Você sabe do que estou falando? Você deseja saber o que é a Matrix? A Matrix está em todo lugar. À nossa volta. Você pode vê-la quando olha pela janela ou quando liga sua televisão. Você a sente quando vai para o trabalho, quando vai à igreja, quando paga seus impostos. É o mundo que foi colocado diante dos seus olhos para que você não visse a verdade. Você é um escravo. Como todo mundo, você nasceu num cativeiro. Nasceu numa prisão que não consegue sentir ou tocar. Uma prisão para sua mente. Infelizmente, é impossível dizer o que é a Matrix. Você tem de ver por si mesmo. Siga-me.”

Talvez seja uma necessidade de espaco, espaco pra respirar, necessidade de distancia, de isolamento, de solitude, de estar a sós consigo mesmo, uma necessidade de estar num lugar deserto, onde só haja tu e o espaço, a natureza, de preferencia uma praia ou campo longe do barulho do transito e com um largo horizonte  pra se contemplar, pensar na vida, refletir ou apenas ver, observar, respirar fundo, sentir a brisa do mar ou o vento e sentir vivo e livre de verdade.

Em seu artigo Marie Cachet tambem cita Soren Kierkegaard como o maior filosofo da era moderna, concordo com ela e entao vou deixar um texto dele em O Desespero Humano,

“Essa espécie estouvada de homens, que o não são, esse rebanho de inseparáveis” sentem-no tão pouco que, como os periquitos, morrem mal se veem sozinhos; como a criancinha que não adormece sem uma canção, é-lhes necessário, para comer, beber, dormir, orar e apaixonar-se, etc… o trauteio tranquilizador da sociabilidade. Mas nem a Antiguidade nem a Idade Média desprezavam essa necessidade de solidão, respeitava-se o que ela significa. A nossa época, com a sua sempiterna sociabilidade, treme de tal modo ante a solidão, que não sabemos (que epigrama!) servir- nos dela senão contra os criminosos. É certo que, nos nossos dias, é um crime dedicar-se ao espírito, e nada tem de extraordinário, portanto, que os amantes da solidão sejam postos ao lado dos criminosos.