A Mente do autista

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Nao, voce nao leu errado. Nao, eu nao escrevi errado. O titulo é este mesmo, a mente do autista e nao a mente do artista, este post é inspirado (mas nao diretamente influenciado) pela minha leitura do artigo “Autismo, uma explanacao do interior” de Marie Cachet e pelo video “The Autistic Brain” de Temple Grandin do Chicago Humanities Festival.

Mas, como eu disse é inspirado e nao influenciado, nao é exatamente aos autistas que me refiro, mas ao que chamo de “autista social” entre os quais eu me incluo.

Me refiro a mim mesmo e a algumas (duas? tres?) pessoas que eu talvez conheça que tem uma certa dificuldade em se relacionar com os demais, com a sociedade, daí a analogia ao autismo, no entanto nao se trata de ser anti-social, embora possa estar relacionado tambem, sendo mais claro…

Não se trata de odiar o ser humano, as pessoas, mas de se sentir sufocado em meio a multidoes, ainda que sejam pequenas multidoes, de nao ser muito afeito a festas, nao por uma rejeicao a festa em si, mas pelo barulho desconexo de dezenas de pessoas gritando para se comunicar por causa do som alto ou da simples aglomeracao de pessoas comprando, vendendo e passeando num shopping ou num centro comercial da cidade, algumas coisas podem ser diferentes, adoro shows de metal, death metal é musica pros meus ouvidos, mas quando vou a um show todos os que la estao, estao com o mesmo objetivo de curtir a banda e se por acaso alguem quiser lanchar, conversar, namorar ou tiver qualquer outro interesse sairá do local e nao ficara la falando alto!

Um video curto de algum tempo atras mostrava um campeonato de futebol americano e no estadio havia um garoto de uns onze ou doze anos com uma camiseta preta e cabelos compridos, a expressao no rosto do garoto demonstra exatamente o que eu quero dizer, enquanto toda a beautiful people sorria curtindo alegremente seu american way of life com hot-dogs e coca-colas extra-large o garoto expressava um olhar de ódio a tudo aquilo, um desprezo por todos, a impressao que se tinha é que ele iria gritar e sair correndo daquele lugar, eu o entendo! me identifico com ele! sei exatamente o que ele esta sentindo e nao pensando, porque nao é algo racional, nao é algo a que se possa apontar e dizer “é isto aqui” que o incomoda, mas é tudo a sua volta ou como disse  Morpheus para Neo no filme Matrix…

“Vou te dizer por que está aqui. Você sabe de algo. Não consegue explicar o quê. Mas você sente. Você sentiu a vida inteira: há algo errado com o mundo. Você não sabe o que, mas há. Como um zunido na sua cabeça te enlouquecendo. Foi esse sentimento que te trouxe até mim. Você sabe do que estou falando? Você deseja saber o que é a Matrix? A Matrix está em todo lugar. À nossa volta. Você pode vê-la quando olha pela janela ou quando liga sua televisão. Você a sente quando vai para o trabalho, quando vai à igreja, quando paga seus impostos. É o mundo que foi colocado diante dos seus olhos para que você não visse a verdade. Você é um escravo. Como todo mundo, você nasceu num cativeiro. Nasceu numa prisão que não consegue sentir ou tocar. Uma prisão para sua mente. Infelizmente, é impossível dizer o que é a Matrix. Você tem de ver por si mesmo. Siga-me.”

Talvez seja uma necessidade de espaco, espaco pra respirar, necessidade de distancia, de isolamento, de solitude, de estar a sós consigo mesmo, uma necessidade de estar num lugar deserto, onde só haja tu e o espaço, a natureza, de preferencia uma praia ou campo longe do barulho do transito e com um largo horizonte  pra se contemplar, pensar na vida, refletir ou apenas ver, observar, respirar fundo, sentir a brisa do mar ou o vento e sentir vivo e livre de verdade.

Em seu artigo Marie Cachet tambem cita Soren Kierkegaard como o maior filosofo da era moderna, concordo com ela e entao vou deixar um texto dele em O Desespero Humano,

“Essa espécie estouvada de homens, que o não são, esse rebanho de inseparáveis” sentem-no tão pouco que, como os periquitos, morrem mal se veem sozinhos; como a criancinha que não adormece sem uma canção, é-lhes necessário, para comer, beber, dormir, orar e apaixonar-se, etc… o trauteio tranquilizador da sociabilidade. Mas nem a Antiguidade nem a Idade Média desprezavam essa necessidade de solidão, respeitava-se o que ela significa. A nossa época, com a sua sempiterna sociabilidade, treme de tal modo ante a solidão, que não sabemos (que epigrama!) servir- nos dela senão contra os criminosos. É certo que, nos nossos dias, é um crime dedicar-se ao espírito, e nada tem de extraordinário, portanto, que os amantes da solidão sejam postos ao lado dos criminosos.

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